Fla Wonka, garota que diz Ni, preferindo-se, perguntou a seus leitores o que eles, por sua vez, prefeririam ser, além de uma metamorfose ambulante. Ela, além de Wonka, gostaria de se literalizar com Jane Austen, Helen Beatrix Potter, Zélia Gattai, Cecília Meirelles e Agatha Christie (se é que já não o é todas, posto sermos também aqueles a quem que admiramos e em quem nos inspiramos e porque ninguém, além de Buda e da caçula irmã Week, sacia-se em que é).
Eu, a cada dia, prefiro ser mais alguma coisa, a começar por ser alguém que não começa suas frases com ‘eu’.
Ainda em frases, deparo-me com “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao tamanho original” e prefiro ser Einstein (!), só pra poder ser a primeira pessoa a falar algo assim – ou só pra poder ser uma pessoa sensível ao ponto de perceber algo assim.
Neste momento, como uma nova idéia, Clarice assume a preferencial ao explicar todo o mundo numa única e lispectoriana frase: “Queria que eles soubessem, através das aulas de português, que o sabor de uma fruta está no contato da fruta com o paladar e não na fruta mesmo”.
Mas aí vem Chagall, Malevich, Frida… e eu quase prefiro ser um livro de História da Arte só pra ter todos eles bem dentro de mim.
Da Literatura às Artes, chego nela, Le Mode, e minhas preferências alinhavam-se em zigue-zague. De Saint Laurent a Poiret, de Chanel a Vionnet, prefiro o smoking para as damas que não mais necessitam de espartilho e o tailleur para aquelas que aprenderam a se costurar de viés. E a cada edição de outono/inverno ou primavera/verão acabo preferindo o verde em relação ao azul, a assimetria em relação à hegemonia simétrica ou os fluidos em relação aos estruturados. Mas posso preferir ser xadrez na próxima estação.
Pra posteridade, prefiro-me um frame de Verger, Mario Cravo, Claudia Andujar, Ryan Mcginley, Daniel Klajmic ou Terry Richardson, porque, como retrata este último, não se levar a sério – ou ao mundo – faz a inteligência ultrapassar a preferência.
Daí prefiro o oxigênio, só pra ser o ar daqueles que pra mim assim o são. Ou então o ‘ploc’ do abrir de uma champagne, preferindo ser celebração. Ou então o espirro de alívio. Ou o orgasmo de explosão.
Até retornar e comigo me reencontrar.
Pra no final, em sendo avesso, preferir ser só o espelho de uma emoção.
Dizendo Ni:
- Ni.
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Julho 11, 2008 às 4:36 pm |
Adorei as fotos e os liks para os artistas e estilistas. Mto rico o post.
beijos
Julho 15, 2008 às 4:24 am |
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Maio 4, 2009 às 9:41 pm |
[...] sobre a moda e seus símbolos quando quis; chamei o coração às palavras quando bem entendi; me preferi; fiz um post-resposta lúcido e consciente a uma grande jornalista quando achei por bem e inventei [...]