Em Paris se coroou a moda. E em Paris se imperam os sentires, os mais variados deles.
Estive lá, em Paris, por três meses. E estive, por bem mais deste mesmo período, onde “Em Paris” está. O filme é de 2006 e foi lá que o assisti, num contexto similar a este meu final de 2008. Fui pelo nome, voltei por ele mesmo.
Paris, a cidade, me é muito especial. Minha primeira experiência em morar fora do país, minha primeira experiência em estagiar fora do país e minha primeira e definitiva experiência em uma cidade que ultrapassa os clichês da magnificência que consegue assumir. Foi por Paris que me seduzi por “Em Paris”.
Entretanto, à margem da cidade, estão o filme, seu diretor, seu figurino e seu elenco. Tudo se inicia com um Louis Garrel matutinamente belo, de cabelos mal lavados, suéter e samba-canção às 8 da manhã. Segue com um Romain Duris (já perfeito em ‘Albergue Espanhol’) absolutamente entregue às dores e à beleza de uma depressão que se sobrepõe ao fim de um grande amor. Paris como pano-de-fundo, mulheres francesas como motivo e o Senna com escoamento da dor.
(Sei bem como escoar em dor pelo Senna…)
Uma irmã que se matou por carregar todo o contexto do mundo e um pai em silencioso desespero revertido em carinho pelo filho em desassossego completam o enredo. Ah, tem também a ponte.
Garrel, em sua introdutória narrativa, questiona: pode um amor fazer você se jogar de uma ponte?
O amor pode fazer você se jogar, eu diria.
E a ponte é uma conexão, como há sempre no amor. Quer seja quando ao seu encontro como enquanto caminho de seu desencontro.
Sobre os figurinos, são eles a metáfora de seus personagens costurada em tecido. Romain passa praticamente todo o filme de cuecas ou ‘mijões’, exteriorização de seu momento íntimo. Garrel sobrepõe ao moletom estampado uma jaqueta de couro, numa alusão à impermeável abertura que lhe cobre o colorido da vida. Alice, ex de Garrel, usa um casaco sem cavas embaixo dos braços, roupa que lhe segura os movimentos assim como Garrel lhe sufoca o continuar.
romain, alice e garrel
…
Hoje vi uma foto de Garrel e me lembrei de ‘Em Paris’. E assim voltei à Paris, que continua desejavelmente bela, como Garrel.
Tags: alice butaus, christophe honoré, dans paris, em paris, guy marchand, joana preiss, louis garrel, paris, romain duris

novembro 25, 2008 às 11:23 pm |
Letícia Toniazzo said…
oi tati! sem sombra de dúvidas uns insistem em fazer isso mais do que outros e, às vezes, acho que nem é culpa da publicação. quando falo em vogue brasil aqui no post, falo quase até de gozação, tamanho tem sido o fuzuê em torno da publicação nos últimos tempos. às vezes a culpa é do stylist, do editor de moda, do fotógrafo, até do maquiador, não necessariamente da revista. o paulo não falou que, às vezes, é até melhor copiar do que pensar, pensar, pensar e fazer um monte de porcaria? ele foi aplaudido. pelo visto a platéia inteira concordou com ele. só acho que aí, se for copiar, copia feito o meisel, copia com qualidade, copia bem feito, copia igual – coisa que nunca acontece por aqui…. copiar é feio, mas é menos feio quando se faz direito. e se não existem condições ou talento ou sei lá o que para copiar direto, não faz. ah! nem vou entrar no mérito da criatividade, porque aí não estaríamos aqui falando de cópia!
bjos!
novembro 26, 2008 às 9:06 pm |
Linda… sua declaração de amor á capital francesa!
bjs
novembro 30, 2008 às 1:22 am |
nossa, eu AMO esse filme e AMO o louis garrel ehuaehuhae
ele é o homem da minha vida
besos
dezembro 8, 2008 às 5:50 pm |
[...] é, ele está de volta. Lindo e francês, as [...]
janeiro 7, 2009 às 5:32 pm |
[...] Honoré, diretor, já deve ter amado muito. E já deve ter perdido muito com seus amores. Em “Dans Paris” e “Les Chansons d’Amour” suas perdas são tão explícitas quanto em La Belle [...]