A MODA E SEUS CAMINHOS

AS ARESTAS DE SANDRA BACKLUND NOS GOMOS DE SEU VESTIDO E AS ARESTAS DA “HOLIDAY HOUSE” DE ANDREAS FUHRIMANN E GABRIELLE HÄCLER – IDENTIFICAÇÃO PLÁSTICA NO CONCEITO DA FORMA

Um dos maiores desafios de quem exercita a moda é pontuar sua não-gratuidade, qualquer seja o âmbito profissional em que ela atue. Nada raro são pessoas alheias a esse universo se surpreenderem, após 5 minutos dedicados a me ouvirem falar sobre ela, com uma real transformação dos preceitos a seu respeito.

Começo com o báááásico: moda não é futilidade, é expressão individual contextualizada em imersão sócio-culltural (…), passeio um pouco pela História e seus alicerces estruturados sobre a indumentária (…) e termino com exemplos de onde podem surgir algumas formas, texturas e silhuetas encontradas nas roupas. Em 99% dos casos sou bem-sucedida e a moda se vê salva de mais um pré-conceito.

Felizmente a cada dia a moda vem sendo notada, percebida e inserida. Navegando pelo site do International Herald Tribune (ainda não aprendi a transformar as palavras em links, por isso transcrevo o endereço: http://www.iht.com/articles/2008/04/28/arts/fbones.php), deparei-me com uma matéria sobre a exposição “Skin + Bones, Parallel Practices in Fashion and Architecture” (no Embankment Galleries em London’s Somerset House, até 10 de agosto). A exposição reflete sobre o encontro dessas duas maneiras de pensar as formas e as linhas – a moda e a arquitetura – e seus distintos universos, que de uns tempos para cá têm se tornado cada vez mais próximos. O estilista Hussein Chalayan em sua Afterwords collection (Outono/Inverno 2000) e sua ‘saia mesa-de-café’ é um clássico exemplo. A intenção da exposição é chamar a atenção do nosso olhar para os caminhos, cada vez mais interligados, da expressão da criação.

CHALAYAN E SUA SAIA MESA-DE-CAFÉ

Tais caminhos podem, todavia, se cruzar de outras maneiras. A moda, além de interferir e se inserir diretamente na arquitetura, pode dela beber e nela se inspirar. Assim como a arquitetura é criação de linhas e volumes, a moda também o é e frequentemente essas direções se encontram num processo criativo. Ao invés de uma se transformar em outra, o que existe é uma identificação plástica das duas, como no exemplo da “Holiday House” dos suíços Andreas Fuhrimann e Gabrielle Hächler e no vestido de Sandra Backlund (foto de início do post).

A moda, além da arquitetura, pode também se inspirar no cinema, na música, na natureza, ou em qualquer outra fonte que seu criador acredite ser um estímulo, um ponto de partida. O importante é termos sempre em mente sua essência, seus alicerces em conceitos, sua não-gratuidade. A moda, assim como suas origens de inspiração, é manifestação de cores, formas e texturas e é, então, despertar de sentidos; a moda é uma expressão de beleza; é desejo e é a venda desse desejo; é auto-estima e estilo de vida; é negócio e é arte; é hobby e profissão; é loucura e é paixão. E só não é, sob nenhuma condição, ausência de função.

À moda, à criação e aos caminhos em expansão.

MOMENTO TATI E CRIAÇÃO MODA-NATUREZA: ACESSÓRIO INSPIRADO EM UM CASCO DE JABOTI (NA IMAGEM, FOTOGRAFADO DE CIMA)

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