A CRÍTICA DE MODA

A semana é da Casa de Criadores e o mês é de desfiles, com Fashion Rio e SPFW na sequência. Momento mais do que oportuno, portanto, para se FALAR sobre moda, pois ela, embora seja lançada pelo pelo traço do estilista, é comentada, aclamada, esculachada, hiperdolatrada (difundida, enfim) pela imprensa especializada, que, ainda bem, parece dar bom sinais de expansão e profissionalização.

Regina Guerreiro deu o start, Palomino o boom e, ao que tudo indica, o próprio mercado está se encarregando de gerar e gerir novos nomes para o jornalismo de moda brasileiro. Maria Prata certamente é um deles e, como prometido, conto um pouco mais sobre o que conferi no curso Crítica de Moda que ela ministrou na escola São Paulo (com o auxílio luxuoso de Vivian Whiteman e Érika Palomino) para mais de 45 alunos! Como disse, expansão e profissionalização.

Vivian, Maria e Érika

No primeiro dia Maria pontuou os principais aspectos a serem abordados numa boa crítica de moda (referências da coleção, cores, tecidos, silhuetas, trilha, decoração da sala de desfile, acessórios, modelos, melhores peças, coerência da coleção com o DNA da marca e a proximidade com seu público-alvo etc), enfatizando a importância da diferença do olhar crítico para cada estilista (afinal cada um deve ser analisado a partir do posicionamento de sua marca frente ao mercado) e da opinião e adequação da linguagem do jornalista com o público-leitor do veículo para o qual escreve (tal como o estilista com o público-alvo de sua marca). Ao final, propôs que nos uníssemos em grupos de cinco e criássemos um veículo para o qual escreveríamos uma crítica sobre o verão 2008 desfilado por Marc Jacobs.

O segundo dia contou com a participação de Vivian Witheman (jornalista de moda da Folha de São Paulo) e, como bem colocou minha colega de grupo, teve ares de “café filosófico”. Vivian deixou todo mundo bem à vontade e foi super aberta a perguntas e debates. Refletiu sobre a postura que assume enquanto crítica de um veículo impresso de grande circulação nacional e diluiu a moda por completo dentro das circunstâncias de mercado, bem ponderando que os desejos que movimentam o mundo fashion vão muito além de si, somente funcionando, portanto, quando inseridos dentro dos desejos aguçados por este próprio mercado (ele, sempre ele!). Completando, ressaltou a importância do ‘saber ler’ os caminhos percorridos pela sociedade contemporânea para se criar e se criticar uma moda que reflete e é reflexo do meio sócio-cultural em que está absorvida.

No último dia foi a vez de la Palomino discorrer sobre sua decisiva trajetória dentro do jornalismo de moda brasileiro, desde sua entrada na Folha como assistente, confesso, de não-me-lembro-o-que até sua consagração como importante colunista de moda e de comportamento da cena urbana de São Paulo. Contou como descobriu, na noite paulistana, estilistas ainda em iniciozinho de carreira como Alexandre Herchcovitch e como foi galgando seu espaço com gírias e um mundo bastante autoral dentro de um jornal de circulação nacional do porte da Folha de São Paulo – conquistas estas que, pela relevância, já fazem parte da História da Moda no Brasil.

Pra finalizar, Maria comentou individualmente as críticas propostas como exercício no primeiro dia, apontando erros e ressaltando méritos.

Meu grupo optou por escrever para um site de moda que, além de informar sobre as notícias relacionadas ao mercado-mundo fashion, também se posiciona ativamente frente a elas, oferecendo, pois, uma informação opinativa e reflexiva.

O site recebeu o nome de Ready-to-Read, numa referência explícita ao ready-to-wear (versão em inglês do francês prêt-à-porter, roupas que, diferentemente da alta-costura, são para o cotidiano, saídas de fábrica prontas-pra usar), caracterizando uma informação-opinião que, assim como a roupa, ao ser lida pode também ser prontamente consumida .

Abaixo o ‘layout’ do nosso veículo (vale um “zoom” pra ler melhor o ‘quem somos’) e mais abaixo ainda a minha crítica, para o Ready-to-Read , de Marc Jacobs em seu verão 2008.

Jacobs em rara beleza

por Tati Rodrigues

No verão 2008 de Marc Jacobs o sapato conversou com o cabelo, que conversou com a lingerie, que conversou com muitos acessórios, os quais conversaram com as meias-finas ¾ que por sua vez dialogaram horas a fio com a mente criadora de sir Jacobs e concluíram, todos juntos e ao mesmo tempo, subverter os conceitos até então pré-estabelecidos a cada um.

A mulher desfilada pelo estilista é uma colagem de todas as possibilidades de composição de um look de moda, e ela própria, aderindo à subversão proposta por suas roupas, reverte-se em uma menina que, seduzida por todas as possibilidades que uma aventura ao guarda-roupa materno lhe oferece, veste-o por inteiro para não correr o risco de ser aquém e pecar por menos – ou por pudor.

Da senhora subversiva à criança em experimentação, a intimidade dessa mulher se revela numa inocente – e inédita – sensualidade, sugerida pela lingerie elevada à categoria de out wear, pelas transparências que descobrem ao invés de cobrir e pelos sapos que não mais viram príncipes e são melhores aproveitados enquanto adorno de bolsas, ficando ao alcance das mãos. Os saltos dos sapatos resolvem se dispor ao contrário (foto abaixo) e, tal qual a edição do desfile, tudo parece ser costurado, senão do avesso, pelo menos por um outro viés.

E por esta via de contramão Marc Jacobs ensina que o feio pode num estante assim o deixar de ser, bastando, para isso, que lhe caia a convenção.

Que seja essa sua história, então, a grande tendência da estação.

Desfile Marc Jacobs verão 2008

É isso.

E deu vontade de muito mais.

4 Respostas to “A CRÍTICA DE MODA”

  1. fernanda Says:

    olha! que demais, tati! adorei ter o gostinho por aqui! e agora fico de ooooolho no que a senhora vai colocar na práticas nas próximas semanas! =)

  2. Thais Martinez Says:

    Olá moça!

    Nossa adorei a sua crítica sobre a coleção de Marc Jacobs, encontrei seu post do YSL no google e daí fui ler seu blog e eis que a senhorita fez o curso da Maria Prata comigo.

    Enfim, não posso mais falar nossa, que mundo pequeno, pq a internet nos possibilita quebrar as barreiras geográficas, mas a convido a entrar no meu blog e caso queira escrever algo p o post, tb fique a vontade.

    Beijokas Thais Martinez
    http://www.thaismartinez.com
    thaismartinez.blogspot.com

  3. Ale Garattoni Says:

    Adorei! Tava mesmo super curiosa pra saber mais detalhes de como tinha sido o curso.
    bjo bjo

  4. UM POUCO MAIS DA CRÍTICA DE MODA « o avesso do espelho Says:

    […] POUCO MAIS DA CRÍTICA DE MODA Um dos pontos discutidos no curso A Crítica de Moda de Maria Prata foi o papel hoje assumido e desenvolvido pelos veículos de comunicação. Ao passo […]

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