da importância e do amor

o_amor_e_importante_porra(a foto veio daqui)

Depois de 13 dias sem postar, uma ode ao amor, porque é o que de melhor sei fazer na vida.

Pra quem vive em SP (capital) e não teme os muros da cidade, “o amor é importante. porra” não deve ser novidade. Se ainda o é, mais aqui, aqui, aqui e aqui (não que eu concorde com o manifestado neste último link, mas o blog é democrático e a cada um cabe sua conclusão). Para que as dúvidas não mais se restem.

E de resto, um conto que conta que a frase desconta em spray o que o coração deveria seguir como lei.

contravenção o caralho. porra.

e sim, é auto-biográfico.

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Enquanto ela ajeitava os cabelos, ele acompanhava a harmonia da música que ao seu povo lhe sorria. Era dia de festa na cidade e todos foram às ruas em homenagem à catarse anualmente concedida como piedade. Ele estava a trabalho; ela, de certa forma, também. Ao que ele governava, ela arruaçava, tirando-lhe a certeza do controle desde antes da existência de qualquer convivência. Ele, por completo, estava imerso em seu mundo e, como tal, confiava em seu oriundo. Ela, visceral, era marginal a qualquer território que não o passional.

O encontro foi inevitável, como não difícil de imaginar. Ele comandava a cidade que ela furtava. Foi como ladra, pois, que ela lhe roubou a atenção. Os olhos? Eram de mistério. Dela. Os dele, de firmeza. Apresentaram-se. Ela, como despida e desprovida, entregou-se. Ele, como fogo e como grego, encantou-se.

Vai daí que histórias de amor não são, em absoluto, originais. Eternas ou expressas, românticas ou contestas, arrematam-se em dor e torpor, porque tanto do bem quanto do mal constrói-se o celestial. Viveram em alegria e conviveram em poesia, nobre e plebéia, mais um contratempo a fazer dos romances não mais enredos a contento. Mas vá lá, houve pulsação: ele, eremita, em comunhão; ela, submunda, em água, fogo e paixão.

Para os ladrões, que se alimentam do calor de seus corações e se apropriam do que lhe desatina as emoções, é ser amante oitava a verberar em constante. Já para os desavisados – -ou burocratizados, ou em si engessados – é a condição futuro alimento para a confusão. E assim o foi. Ela compactuou e ele se desviou. Sem mais, mas com muito menos, ele se retirou e colocou à deriva uma das oportunidades que lhe podia restaurar a falsa segurança vendida pelas autoridades. Porque o medo de deixar-se ir não é apreço à liberdade – é fuga do que pode se configurar contexto ou saudade. Ela, descompromissada, ficou. Ele, calvino travestido de libertino, titubeou.

E como num jazz por ele tantas vezes improvisado, em lágrima escorrida e certeza de totalidade vivida pela margem ela seguiu, enquanto pelas beiradas ele, ao seu auto-cárcere, serviu.

Terminou o livro com a margem e o auto-cárcere duelando-lhe a cabeça. Estava encostada à porta do banheiro, de frente para a cama em que ele, entregue, dormia. Trazia um quase-sorriso nos lábios, ao que por outro, inteiro, recém-acordado e sob lençóis, fez-se ladroeiro:

– Você quer se casar comigo,? – com os olhos semi-serrados, perguntou-lhe.
– Não – como as pupilas bem abertas, retribui-lhe.

E foi com seu homem se deitar porque já era tarde da manhã que, fogosa, fez-se raiar.

Ele a abraçou, como quem ao mundo. E ela, imersa. Bem a fundo.”

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Bom fim-de-semana a todos.

Amem.

Muito.

Amém.

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8 Respostas to “da importância e do amor”

  1. Márcia Mesquita Says:

    MEODEOOOOOOOOOS
    ELA APARECEUUUUUU

    como você está, o sumiço foi por bom motivo?

    por aqui tudo… confuso, mas acho que bom, talvez incerto… hehehehe

    vou ficar com exu aqui em sp mesmo heuaheuhaae não vou ter feriadão, trabalho na segunda. perdeu! tem 3 finais de semana que eu não saio de sp! rs

    se ficar, aviseee
    bjs

  2. ivi Says:

    AMÉM, TATI!

    também te amo-te, porra!

  3. alda Says:

    LINDO!!!!!!!!!!!!!!!!!! E VIVA AO AMOR, PORRA🙂
    SUMIU MAS QDO. APARECE É EM GRANDE ESTILO!
    BJKA E BOM FERIADO

  4. Maria Ester Says:

    Maravilhoso!!!!
    Te amo.
    Se ame tb, Porra.
    Só assim o outro , trazendo
    o amor verdadeiro, CHEGA.
    Beijão.

  5. Má Fonseca Says:

    Moro em São Paulo desde que nasci e está frase, que está estampada entre outros locais na rua da Consolação e avenida Sumaré, tem me chamado a atenção… Estava só de passagem, mas diante do excelente post decidi comentar… bravoooo!!!

  6. the lifer Says:

    olá tati tudo em paz aí? aki ok. o meu nome é fábio ribeiro. sou designer têxtil e tenho uma marca de camisetas exclusivas chamada The Lifer. é um conceito de moda totalmente alternativo e voltado a arte. bem lgw. estou divulgando o meu blog e gostaria de trocar link com vc.
    parabéns pelo blog.
    obrigado
    f
    http://www.blogthelifer.blogspot.com

  7. Luís Cláudio de Oliveira Says:

    Tati, a ti deixo uma palavra que lavra a lavoura para germinar a poesia do dia, doidinha, sem juízo, porque a razão engessa a sensibilidade. Assim, pra você, pra mim, pra Amim, pra Salim, faço versos que não rimam com os versos do mundo imundo. Portanto, por tanto tempo esqueço o começo e meço as minhas incertezas para levá-las às valas do esquecimento.

    Parabéns!

    Amém… doim.

    Luís Cláudio, um baiano para com tato

  8. Júlio Castro Says:

    Assim é. Embora não pareça.

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