assassinas por natureza. a vida como ela é.

tava de óculos porque era a única de luto, enfim. e fim. e até. brigou, sofreu, se humilhou e não aguentou. disseminou. disse e minou. ele, a relação e suas mentiras. cansou, quem há de culpar? quem não se cansa, afinal? ah, final.

foi trágico e, saindo a si, passional. mas não fez sozinha, mais por precisar de almas a testemunhar do que o ajudar. ou então por caridade. há, no final, sempre quem tenha mais motivos. ela tinha; as outras também. talvez mais, talvez menos. ninguém tá  aqui pra julgar ou pra saber.

telefonou e comunicou. às seis da manhã seria a hora. da aurora. três toques no celular – um tic pra cada uma – e o taque pra entrar.  mas antes ela faria a última ceia.

chegou, interfonou e se adentrou. como sempre. ele, despercebido em egocetrismo, o foi. pra sempre. ela lavou o vinho, branco, porque de vermelho já tava bom a boca, o coração e o destino. gozou a entrega que lhe cabia, desarmou a prontidão que ele exibia e lançou o toque. ele, dormente, propiciava-se-lhe o choque. elas subiram, definitivas.

matadoras

de resto tem a beleza o controle da pena. eram três. e ofuscavam. morreu embriagado de tanto o belo olhar, que, assassino, em propósito se veio lhe revelar.

mataram sem culpa porque o belo como tal não implica o bonito ao marginal. pena de quem não aguenta. eram seis e seis e ainda era muito a se fazer.

ganharam as ruas enquanto a morte, em quitinete de um homem só, desposava sua inércia.

no compasso trino da partitura em dó.

eram três.

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