revista-se

value

Vamos falar de valores.

Não o do Macbook, não o das pechinchas (?) da nova outlet na Bandeirantes, não o dos novos must-have nem o dos anúncios nos blogs mais bombados. Vamos falar dos valores que nos são íntimos, únicos, não expostos em vitrines ou postados na web. Valores que plantam sorrisos de cantinho de boca e nos lembram que, né, vale bem a pena o valer a pena. Valores de se acariciar com vontade de virar lagartixa ou sorvete, de ouvir um poema de Vinícius ou de receber um email como esse aqui (vai, faça um forcinha e leia até o final porque, em se falando de valer, esse vale. Muito):

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar… Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Tatinha, este é o Arthur da Távola, não redonda.

Envio isso, mas no sentido figurado, esses sentimentos temos com amigos, com irmãos, com pessoas que nos dizem algo apenas no olhar.

Basta ter empatia e vontade de avançar nas relações, mas antes precisamos nos descobrir: nossas falhas, nossas dúvidas, nossos anseios, nossas alegrias, nossas, nossas, não egoisticamente, mas um olhar direto para os sentimentos e não para o umbigo.

É muito dificil deixar de olhar para o umbigo, é muito complicado deixar de lado nossas verdades, admitir nossos erros, nossos deslizes.

Mas isso é vida, pulsação, sangue correndo nas veias, artérias, caminhos que nos levam a alguém ou a nós mesmos.

Te amo, e não canso de repetir, não adianta me dizer: eu sei, Tia.

Sei que você sabe, mas é sempre bom dizer e ouvir.

Você não me conta suas angústias, suas alegrias, seus medos, seus devaneios, seus vícios, suas loucuras.

Mas eu as adivinho porque tenho você no coração e desde que você entrou na minha sem pedir licença rezo e peço à Deus que te proteja, que te ilumine, que te encaminhe e que te aconselhe nas tuas escolhas.

Erros e acertos, encontros e desencontros, amores e ódios, amigos e inimigos…

Olhos, boca, coração, mãos, pés, cabelo, orelha, sangue, pele, emoção, arrepio, saudade, muita saudade.

Força e conte comigo para tudo: erros, acertos, angústias, alegrias, medos, explosões, loucuras, etc…etc…etc…

Sou louca por ti, Tatinha.

Bjs,

Lucia.

É. E não, não tem preço. Principalmente por ser inesperado como uma chuva anarquista em trânsito paulistano, dessas que refrescam sem apagar o fogo congestionado. E, mais do que principalmente, por ser de verdade e não propaganda de cartão de crédito.

De resto, valorizar (se) depende de cada um.

olhos no coração

Enxergue com o coração.

E registre seu olhar.

Bejo valoroso pra todo mundo!

(E ó, pra quem também me escreve de verdade achando esse Avesso verdadeiro, valeu, mesmo. Só não os respondi porque ainda estou dependendo das lans house. Mas quando a net lá em casa parar de dar bafo, as respostas virão. De verdade.)

4 Respostas to “revista-se”

  1. Lúcia Rodrigues Says:

    Não dá para esconder o orgulho que tenho de você,já que você parafraseou a propaganda do cartão, também posso abusar: não basta ser Tia, tem é que amar, mostrar esse amor no auge da necessidade.Afirmo e reafirmo que ser amiga, irmã, tia,colega, companheira, confidente nas horas boas, numa mesa de um bar, ah, é muito fácil.Mas estar disponível para as horas que não seguem seu curso ou que seguem muito rápido, ah, como é complicado, a maioria foge. Mas sei que você sabe onde me encontrar, mesmo no seu silêncio.

  2. Márcia Mesquita Says:

    ppost anterior: pneumoniaaaa? ta melhor?

    sobre este: mas um namoro não se faz sozinho eheheheh quando um não quer…

    beijos

  3. alda Says:

    oiii linda qto, tempo!! tava doente? vixe… espero que esteja boa! delicioso texto que vc. colocou aqui (como sempre), namorar, estar enamorada é tão bom rs
    bjka saudosa

  4. alice Says:

    obrigada

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